quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A primeira reforma agrária digital


Seguindo o caminho de renomadas instituições de ensino como Harvard e Berkeley, universidades brasileiras investem no Second Life, ambiente virtual tridimensional onde as pessoas criam suas representações e vivem simulações da vida real on-line. Já existem mais de cem escolas no mundo explorando as novas possibilidades de ensino no site, que já foi acessado, pelo menos uma vez, por mais de 8 milhões de pessoas.

As primeiras a fincarem suas bandeiras nesse universo virtual foram a Universidade Presbiteriana Mackenzie e a Universidade Anhembi Morumbi. Não querendo ficar de fora dessa novidadade, no dia 20 de Agosto de 2007 a Universidade de Pernambuco(UPE) realizou uma aula de gradução na tão falada e usada plataforma virtual(Second Life), através de bonecos virtuais chamados de "avatar".
Com tantas escolas e faculdade utilizando esse novo método à partir da cidade do Conhecimento 2.0, houve uma necessidade de reunir projetos educacionais, ambientais, culturais e empreendimentos tecnológicos à realidade virtual.
Há quem diga que ainda é cedo para prever a revolução que um ambiente em 3D como o Second Life pode ocasionar ao ensino. Mas, sem dúvida, algumas mudanças já estão em curso. Para Solange Giardino, coordenadora de informática na educação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o ensino em ambientes tridimencionais já representa um avanço em relação ao que é usualmente oferecido no ensino online. "O fato de você se ver presente na sala de aula com seu avatar (representação humana criada pelo usuário) e poder interagir com os colegas e professores, colabora para um maior envolvimento dos alunos", acredita.

Como em outros cursos na internet, nas aulas no Second Life existe o bate-papo e a correção imediata dos exercícios. "A vantagem é que tudo pode ser gravado ou fotografado", diz Solange.
Fazer uma réplica das salas de aula tradicionais no Second Life é perder a parte mais divertida do novo ambiente virtual. "É preciso transformar o conteúdo e a narrativa, não fazer uma mímica do mundo real", diz Gilson Schwartz, diretor da Cidade do Conhecimento da USP. "Imagine poder ensinar cidadania fazendo com que os alunos experimentem viver um dia como negros ou como outras minorias", diz. "É preciso explorar esse salto cognitivo que é a representação digital".
A Universidade Mackenzie está apostando nesse fascínio dos brasileiros por sites de relacionamentos que se assemelham ao mundo real para atrair futuros alunos. Até o fim do ano, deve lançar uma réplica virtual do prédio da escola localizado no bairro de Higienópolis, em São Paulo. O projeto será dos próprios alunos. Desde que criou seus primeiros espaços no Second Life, em abril, nas chamadas ilhas Alpahville e Copacabana, a universidade já recebeu 15 mil visitantes. Num primeiro momento, ela disponibiliza para os usuários vídeos e displays com orientações sobre profissões e um painel onde ex-alunos são direcionados para uma página onde poderão encontrar antigos colegas.
No futuro, o Mackenzie pretende oferecer aulas, mas antes está investindo na preparação dos professores. Cerca de 200 dos 400 docentes da instituição deverão ser treinados nos próximos meses. "Não é um ambiente nativo para eles", lembra José Augusto Pereira Brito, gerente de TI do Mackenzie. O vice-reitor Pedro Ronzelli Jr. acredita que a investida no Second Life ajudará a escola no quesito inovação. "Buscamos a renovação da nossa marca", diz.
Para Yaccoff Sarkovas, diretor geral da Significa, agência de publicidade especializada em "atitude de marca", o Second Life deve contribuir para a renovação da imagem de instituições de ensino mais tradicionais. "Elas podem atingir um público novo, agregar valor de inovação à sua marca, mas se isso virar um default esse predicado se perderá", alerta o publicitário.


"O Second Life é uma parte natural da evolução da nossa educação online".


postado por Carol Braga
fonte: Jornal Valor Econômico

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